Sunday, July 12, 2009
Metal Roque - S. Roque recebe noite de peso em Agosto
No dia 13 de Agosto os Nableena, Neurolag e Zymosis actuam na freguesia de S. Roque, em S. Miguel, numa noite intitulada Metal Roque. As hostilidades têm início às 21h30 e o acesso é gratuito. Review
HELLSAW
“Cold”
[CD – Napalm Records / Fiomúsica]
Nos últimos tempos temo-nos apercebido do empenho da austríaca Napalm Records em diversificar as características musicais do seu catálogo. Originalmente conhecida pela sua faceta mais gótica, e depois de já contar com bandas de doom e rock’n’roll, é a vez do selo propor no seu roster um regresso às origens do black metal, precisamente na sua orientação mais primitiva e fria de declarada influência escandinava. Posto isto e escutados os primeiros instantes de “Cold” parece que lhe tiramos instantaneamente a radiografia. Impõe-se a fórmula do black metal simples e directo, não tão sujo quanto se poderia imaginar já que a produção não deixa, mas suficientemente negro e retro para lhe colocarmos na prateleira ao lado de nomes como Darkthrone, Hellhammer, Immortal ou Celtic Frost.
Contudo, com o avançar dos temas, apercebemo-nos que os Hellsaw têm a coragem de apontar alguma claridade a este material, virtude de um sentido melódico interessante, para além de alguns arranjos e efeitos muito subtis que podem tornar este num disco demasiado ousado para os mais conservadores adeptos deste movimento.
E o problema de “Cold” acaba por poder ser mesmo esse: um disco preso na encruzilhada da indefinição em relação ao seu público-alvo. Como já foi referido, pode soar “limpinho” de mais para convencer os indefectíveis da natureza misantropa e sórdida do black metal, mas também está longe de ser uma obra moderna dentro do género, como uma dos Dimmu Borgir, por exemplo.
Caberá ao tempo e à disposição do ouvinte aceitar, ou não, este disco. O mais importante é que fora qualquer preconceito, “Cold” é um trabalho honesto e os Hellsaw, embora exibam descaradamente todos os clichés do género – muito ripanço nas guitarras e bateria repetitiva – ainda tiveram a lucidez de não tornar este um disco intragável. Quem não for adepto do antigo nem do moderno e procura um meio-termo, este poderá ser um disco perfeito. [6/10] N.C.
Estilo: Black Metal
Discografia:
- “Spiritual Twilight” [CD 2005]
- “Phantasm” [CD 2007]
- “Cold” [CD 2009]
www.hellsaw.at.tt
www.myspace.com/hellsawmusic
[CD – Napalm Records / Fiomúsica]
Nos últimos tempos temo-nos apercebido do empenho da austríaca Napalm Records em diversificar as características musicais do seu catálogo. Originalmente conhecida pela sua faceta mais gótica, e depois de já contar com bandas de doom e rock’n’roll, é a vez do selo propor no seu roster um regresso às origens do black metal, precisamente na sua orientação mais primitiva e fria de declarada influência escandinava. Posto isto e escutados os primeiros instantes de “Cold” parece que lhe tiramos instantaneamente a radiografia. Impõe-se a fórmula do black metal simples e directo, não tão sujo quanto se poderia imaginar já que a produção não deixa, mas suficientemente negro e retro para lhe colocarmos na prateleira ao lado de nomes como Darkthrone, Hellhammer, Immortal ou Celtic Frost.Contudo, com o avançar dos temas, apercebemo-nos que os Hellsaw têm a coragem de apontar alguma claridade a este material, virtude de um sentido melódico interessante, para além de alguns arranjos e efeitos muito subtis que podem tornar este num disco demasiado ousado para os mais conservadores adeptos deste movimento.
E o problema de “Cold” acaba por poder ser mesmo esse: um disco preso na encruzilhada da indefinição em relação ao seu público-alvo. Como já foi referido, pode soar “limpinho” de mais para convencer os indefectíveis da natureza misantropa e sórdida do black metal, mas também está longe de ser uma obra moderna dentro do género, como uma dos Dimmu Borgir, por exemplo.
Caberá ao tempo e à disposição do ouvinte aceitar, ou não, este disco. O mais importante é que fora qualquer preconceito, “Cold” é um trabalho honesto e os Hellsaw, embora exibam descaradamente todos os clichés do género – muito ripanço nas guitarras e bateria repetitiva – ainda tiveram a lucidez de não tornar este um disco intragável. Quem não for adepto do antigo nem do moderno e procura um meio-termo, este poderá ser um disco perfeito. [6/10] N.C.
Estilo: Black Metal
Discografia:
- “Spiritual Twilight” [CD 2005]
- “Phantasm” [CD 2007]
- “Cold” [CD 2009]
www.hellsaw.at.tt
www.myspace.com/hellsawmusic
Saturday, July 11, 2009
ThanatoSchizO - Em estúdio em Julho para gravar disco de versões acústicas
No dia 22 de Julho os ThanatoSchizO entram em estúdio para a gravação do seu quinto longa-duração que desta vez será composto por versões acústicas de temas dos seus anteriores trabalhos, com incursões étnicas e electrónicas. A gravação e produção do álbum serão assumidas na totalidade pela própria banda, com assistência de Pedro Cabral e Paulo Almeida, que dividirá os seus trabalhos entre o Teatro de Vila Real e os seus Blind & Lost Studios, em Santa Marta de Penaguião. O guitarrista Guilhermino Martins comenta: "Temos vindo a trabalhar na pré-produção destes temas desde o Verão de 2008, pelo que sentimos estar a preparar um álbum especial, não só pela abordagem fora do comum, mas também pela forma como nos temos sentido confiantes neste papel, tocando ritmos mais compassados e incorporando elementos tão diferentes na nossa música.” O novo disco do colectivo nacional será editado pela Major Label Industries ainda em data por definir. I Hate Fest - Hoje em Figueiras
Os Hate Disposal, Darkside Of Innocence, Antichthon, Stigma Sphere e Mend Your Loss actuam hoje [sábado] em Figueiras, Leiria, pelas 22h00, no primeiro Hate Fest. Os ingressos custam 4€. Desire + The Spektrum - Ao vivo hoje na Figueira da Foz
Hoje, 11 de Julho, os Desire levam o seu novo trabalho, o EP “Crowcifix”, até ao Nyktos Bar, na Figueira da Foz. Na primeira parte do espectáculo da conhecida banda de doom/gótico de Lisboa estarão os The Spektrum. Um espectáculo a não perder a partir das 22h00.Friday, July 10, 2009
Entrevista Witchbreed
O FEITIÇO DA SEDUÇÃOEm 2006, como que com ideias de sair da “reforma antecipada”, Ares [ex-Moonspell] e Dikk [ex-Deepskin] decidiram entregar as suas almas a um novo projecto chamado Witchbreed. Os experientes músicos dedicaram-se com enorme afinco na criação da sonoridade dark/gothic/progressive metal que caracteriza os Witchbreed e, sobretudo, a elevá-la a um exigente patamar de maturidade, quer técnico quer de composição. Podendo contar com o portento vocal que é a madeirense Ruby e com a irrepreensível produção de Waldemar Sorychta [Moosnpell, Lacuna Coil, Samael], os Wicthbreed parecem confinados a um reconhecimento fácil e além-fronteiras, para o que já tem ajudado o contrato com a britânica Ascendance Records. A frontwoman e símbolo mais visível da banda, Ruby Roque, não se coibiu de comentar as boas reacções que “Heretic Rapture”, o seu álbum de estreia editado no final do mês passado, tem granjeado.
A Ruby é natural da Madeira. Depois de Alberto João Jardim e Cristiano Ronaldo, é a grande marca a sair do arquipélago. Concorda? [risos]
Claro que não concordo! [risos] Temos o Vinho da Madeira e o Bolo de Mel! Eu simplesmente percorri o que tinha a percorrer na ilha e era altura para outros voos...
Qual é a receita para ter umas cordas vocais tão… dotadas? Muitas aulas, herança genética?
[risos] Quero pensar que é genético. A minha familia é muito “musical”, adoro a voz do meu pai que também toca guitarra e é a minha grande inspiração; os meus tios e primos tambem cantam. Obviamente também tive aulas de canto desde muito pequena, que odiei, mas agora sei ver e admito que me ajudou imenso a nível técnico.
Segundo consta não estava muito confiante em relação a conseguir um lugar nos Witchbreed quando lhe foi feito o convite para fazer uma audição. Foi um caso particular ou normalmente não é muito confiante da sua voz?
É mesmo um caso de não gostar de audições. Eu era uma miudinha de aparelho nos dentes, tímida, num estúdio com dois músicos experientes e com um ar suspeito. [risos] Só fui à audição porque a minha amiga Vanessa fez pressão para eu aceitar o convite. Eu gravei a “Descending Fires” de aparelho nos dentes, por isso, não é falta de confiança na minha voz.
Neste momento os Extreme Attitude, a sua antiga banda, estão extintos?
Sim, estão. Foram uma grande e boa parte do meu crescimento como músico e eram, acima de tudo, meus amigos de infância. Foi muito bom e ainda mantemos contacto.
O facto de se ter mudado para Lisboa teve a ver com a sua entrada para a banda e o processo de composição de “Heretic Rapture”? Naturalmente, não me estou a querer meter na sua vida pessoal [risos], mas deduzo que o compromisso com os Witchbreed se tenha vindo a intensificar e a exigir bastante de todos…Não. Eu já residia em Lisboa quando me convidaram para fazer a audição para os Witchbreed que na altura não tinham nome! Obviamente que exigiu muito de todos, mas nada teve a ver com a minha deslocação para Lisboa. Já cá residia há quase um ano.
Era ainda uma pessoa bastante inexperiente quando se juntou aos Witchbreed? Que papel teve o Dikk e o Ares na sua integração?
Não, não era assim tão inexperiente. Eu com 15 anos já cantava em casinos com musicos com idade de serem meus pais. Actuava em galas, gravava “jingles” para Rádios e TV. Tinha uma vida musical muito activa. Depois fui-me tornando amiga do actual chefe da Antena 3 da Madeira e fiz programas e muitas entrevistas. Foi muito bom. O Ares e o Dikk, foram muito importantes sim no mundo do Metal; o Ares já fez tours e sabe a loucura que é estar na estrada, como negociar com editoras, etc. O Dikk é o meu produtor preferido; é o meu director musical. Ele conduz-me quando estou a gravar e tudo soa melhor. Eles aí foram essenciais.
Sendo eles os mais experientes, são também quem assume a maior parte da composição ou você, o Filipe e o Tiago também surpreendem os veteranos com as suas ideias?
Obviamente que o grosso do trabalho recai nos ombros do Dikk e do Ares, mas em “Heretic Rapture” encontramos toques de todos os elementos da banda. E sim, muitas vezes eles ficam surpreendidos com as ideias de que os meninos novitos lá se vão lembrando! [risos]
Portanto, não há nenhum regime absolutista dentro da banda?
Hmmm… Só quando o Ares veste a farda do Hitler e o Dikk a do Mussolini! [risos] Existe o regime dos mosqueteiros!
E como se dá a oportunidade de se lançarem de forma tão profissional? Foi a experiência e contactos do Ares ou mera estratégia e uma ponta de sorte? Digo isso também porque, por exemplo, o Ares já trabalhou com o Waldemar Sorychta…
Digo-te que foi uma noite em que fiz pressão ao Dikk para ele acabar a masterização de duas faixas que iríamos lançar no Myspace, juntamente com uma imagem nova, e passado algumas horas dos temas estarem online recebemos algumas propostas, sendo a mais interessante a da Ascendance. O facto do Ares ter trabalhado no passado com o Waldemar, penso que ajudou, mas estávamos todos reticentes, pois eles já não se falavam há mais de dez anos. Mesmo assim, tudo correu bem, o Waldemar gostou do que ouviu e foi isso que o fez vir a Portugal.
O Waldemar espantou-se pelo Ares estar agora noutras andanças, a tocar um som mais pesado e tal… [risos]Estás-te a rir, mas acredita que Moonspell tem malhas muito mais melódicas do que nós e o Ares toca peças muito mais complexas e dark do que em Moonspell. Retiras o gutural de Moonspell e tens uma banda gótica muito melódica. Retiras a minha voz de Witchbreed e tens uma banda extremamente pesada. Vá lá que ao menos dou uns toques a cantar! [risos]
Registou-se alguma história curiosa em estúdio?
Sim, aconteceram várias até. Estavam sempre a tentar raptar o nosso produtor do estúdio, ao ponto em que o Ares teve de desligar o telemóvel. Eu entendo que um produtor daqueles em Portugal chame a atenção a muitas bandas, mas é uma grande falta de respeito interromper o trabalho dos outros. Digamos que agora rimos da situação, mas na altura ficámos muito irritados, porque estávamos a meio da pre-produção.
Até que ponto acha que cresceram com o Waldemar, alguns num primeiro contacto e outros já num terceiro ou quarto como é o caso do Ares?
O Waldemar foi uma pessoa super humilde, extremamente cómica e super talentosa. O melhor é que existiu uma simbiose entre a banda e o Waldemar o que tornou tudo mais fácil e acabámos os trabalhos três dias mais cedo do que o previsto. Crescemos a nível profissional, subimos um patamar. O Waldemar deu-nos uns bons conselhos para o futuro e nós vamos segui-los à risca. Eu até podia dizer-te mas depois tinha de matar-te! [risos]
Bom, se é para valer informação preciosa... [risos]
Os segredos do Waldemar vão para a cova com a banda, desculpa! [risos] Os melhores "chefes" não dão os ingredientes das suas melhores receitas!
Vocês estudaram e pré-produziram sozinhos “Heretic Rapture” até à exaustão até requisitarem os préstimos do Waldemar. Estamos a falar de um período de um ano. O que vos absorveu mais esforço nesta etapa? Almejavam a perfeição?
O Waldemar pré-produziu também connosco. Acho que o pior foi mesmo os problemas técnicos; avariaram computadores e demoraram semanas a arranjar e a passar dados. Foi um stress. Quanto às composições até fluiram bem. Claro que fizemos várias versões da mesma música, sem saber o que soava melhor. Sim temos um grande defeito, todos nós somos demasiado perfeccionistas. E chegámos a ficar dia e noite em estúdio só para corrigir pequenas coisas. Mas no final vale a pena.
Perfeito é o refrão de “Rebel Blood”, provavelmente dos ganchos mais pegadiços que ouvi nos últimos tempos… É “culpa” de quem?
O culpado será o Dikk. Ele fez a linha de voz e eu enterpretei-a à minha maneira fazendo um pequeno ralentando na “…follow me…”.
Cantar em português foi uma ideia tida com que intuito?
Obviamente que ao lançar um álbum a nível internacional por uma editora britânica, teriamos que deixar o nosso cunho português! A “Heretica” é uma música triste como o nosso fado e quando o Ares mostrou-me a letra que tinha escrito eu identifiquei-me logo com ela. Cheguei a emocionar-me ao cantá-la quando digo “…sou Diva… da solidão…”.
Tem alguma cantora portuguesa como referência?
Não, não tenho.
Uma estreia por uma editora estrangeira é algo sempre de realce. Não me lembro de muitos casos nacionais em que isso tenha acontecido… Que se fiquem pelo exemplo dos Moonspell e não dos Icon & The Black Roses, por exemplo… [risos] Como se sentem com isso tudo?
Nós vivemos um dia de cada vez e nós não queremos ser como os Moonspell ou como os Icon, mas sim os Witchbreed e marcar uma nova página na música portuguesa. É ambicioso, eu sei, mas o sonho comanda a vida!
Foram muito exigentes convosco? Estão obrigados a vender metade do que o “Thriller” pelo menos? [risos]
O objectivo deste álbum é dar a conhecer os Witchbreed ao mundo. Chegar ao sítio mais remoto do mundo, é esse o objectivo de “Heretic Rapture”.
Vocês estudaram e pré-produziram sozinhos “Heretic Rapture” até à exaustão até requisitarem os préstimos do Waldemar. Estamos a falar de um período de um ano. O que vos absorveu mais esforço nesta etapa? Almejavam a perfeição?
O Waldemar pré-produziu também connosco. Acho que o pior foi mesmo os problemas técnicos; avariaram computadores e demoraram semanas a arranjar e a passar dados. Foi um stress. Quanto às composições até fluiram bem. Claro que fizemos várias versões da mesma música, sem saber o que soava melhor. Sim temos um grande defeito, todos nós somos demasiado perfeccionistas. E chegámos a ficar dia e noite em estúdio só para corrigir pequenas coisas. Mas no final vale a pena.
Perfeito é o refrão de “Rebel Blood”, provavelmente dos ganchos mais pegadiços que ouvi nos últimos tempos… É “culpa” de quem?
O culpado será o Dikk. Ele fez a linha de voz e eu enterpretei-a à minha maneira fazendo um pequeno ralentando na “…follow me…”.
Cantar em português foi uma ideia tida com que intuito?Obviamente que ao lançar um álbum a nível internacional por uma editora britânica, teriamos que deixar o nosso cunho português! A “Heretica” é uma música triste como o nosso fado e quando o Ares mostrou-me a letra que tinha escrito eu identifiquei-me logo com ela. Cheguei a emocionar-me ao cantá-la quando digo “…sou Diva… da solidão…”.
Tem alguma cantora portuguesa como referência?
Não, não tenho.
Uma estreia por uma editora estrangeira é algo sempre de realce. Não me lembro de muitos casos nacionais em que isso tenha acontecido… Que se fiquem pelo exemplo dos Moonspell e não dos Icon & The Black Roses, por exemplo… [risos] Como se sentem com isso tudo?
Nós vivemos um dia de cada vez e nós não queremos ser como os Moonspell ou como os Icon, mas sim os Witchbreed e marcar uma nova página na música portuguesa. É ambicioso, eu sei, mas o sonho comanda a vida!
Foram muito exigentes convosco? Estão obrigados a vender metade do que o “Thriller” pelo menos? [risos]
O objectivo deste álbum é dar a conhecer os Witchbreed ao mundo. Chegar ao sítio mais remoto do mundo, é esse o objectivo de “Heretic Rapture”.
Outro motivo por que se devem sentir bastante orgulhosos, é o facto de terem tido airplay no programa do Bruce Dickinson na BBC. Como é que isso se proporcionou?
Ele descobriu a banda provavelmente pela nossa editora que tambem é inglesa e gostou, pois ninguem obriga o Bruce a passar nada no seu programa. Ele gostou da "Rebel Blood", rodou-a e comentou a banda. Podem ouvir isso no nosso Myspace.
Neste momento a banda está disponível para se entregar em força aos seus compromissos, entrar em digressão pela Europa, por exemplo, ou isso ainda não possível devido às vossas vidas pessoais?
Estamos 100% disponíveis para entrar em digressão se tal oportunidade acontecer. Quando fizemos os Witchbreed esclarecemos: ou estamos a 100% ou não estamos.
De momento, só têm três datas confirmadas, certo?
Sim, temos três datas em Portugal. Temos recebido outras propostas mas sem condições nenhumas. Já agora alerto às organizações que pretendem fazer eventos com bandas para que pensem bem antes, porque exige muita coisa. Já está na altura de as bandas portuguesas serem tratadas com respeito.
O Ares continua a ter contacto com o Fernando Ribeiro, correcto? Quer revelar-nos, ainda que possa sempre ser suspeito [risos], se ele já expressou a sua opinião sobre vocês?
Isso são assuntos deles. Eu não conheço pessoalmente o Fernando Ribeiro, não que eu saiba. Presumo que o Fernando Ribeiro tenha mais que fazer [como tentar cantar Amália?] do que estar a comentar o trabalho dos Witchbreed.
Não tarda leva-vos em digressão… [risos]
Não tarda nada o Elvis e o Michael Jackson vêm jantar à minha casa!
Num cenário tão coeso e promissor como o vosso, creio que só vos falta, para já, a gravação de um videoclip? Isto está a ser pensado?
Sim, mas sinceramente não é o aspecto mais importante. Nós queremos tocar e mostrar o nosso trabalho ao vivo, isso sim, é o mais importante.
Nuno Costa
www.myspace.com/witchbreed
Neste momento a banda está disponível para se entregar em força aos seus compromissos, entrar em digressão pela Europa, por exemplo, ou isso ainda não possível devido às vossas vidas pessoais?
Estamos 100% disponíveis para entrar em digressão se tal oportunidade acontecer. Quando fizemos os Witchbreed esclarecemos: ou estamos a 100% ou não estamos.
De momento, só têm três datas confirmadas, certo?
Sim, temos três datas em Portugal. Temos recebido outras propostas mas sem condições nenhumas. Já agora alerto às organizações que pretendem fazer eventos com bandas para que pensem bem antes, porque exige muita coisa. Já está na altura de as bandas portuguesas serem tratadas com respeito.
O Ares continua a ter contacto com o Fernando Ribeiro, correcto? Quer revelar-nos, ainda que possa sempre ser suspeito [risos], se ele já expressou a sua opinião sobre vocês?Isso são assuntos deles. Eu não conheço pessoalmente o Fernando Ribeiro, não que eu saiba. Presumo que o Fernando Ribeiro tenha mais que fazer [como tentar cantar Amália?] do que estar a comentar o trabalho dos Witchbreed.
Não tarda leva-vos em digressão… [risos]
Não tarda nada o Elvis e o Michael Jackson vêm jantar à minha casa!
Num cenário tão coeso e promissor como o vosso, creio que só vos falta, para já, a gravação de um videoclip? Isto está a ser pensado?
Sim, mas sinceramente não é o aspecto mais importante. Nós queremos tocar e mostrar o nosso trabalho ao vivo, isso sim, é o mais importante.
Nuno Costa
www.myspace.com/witchbreed
Thee Orakle - "Metaphortime" apresentado em Mirandela este mês
Os vila-realenses Thee Orakle actuam no próximo dia 26 de Julho na Zona Verde da cidade de Mirandela, pelas 23h59. A entrada é gratuita e o lazer é uma garantia num local situado à beira TUA [banhos livres] num espaço que oferece o maior relvado da cidade, campo de ténis, aluguer de caiaques, barracas de comes e bebes, etc. Para a ocasião a banda promete também algumas surpresas “técnicas”. Entretanto, esta acaba de disponibilizar no seu Myspace um excerto de cada tema do seu álbum de estreia, “Metaphortime”, editado a 16 de Março passado pela Recital Records. Relembramos ainda que em Agosto os Thee Orakle marcam presença no aguardado Vagos Open Air, em Aveiro, no dia 8, e mais tarde no Milagre Metaleiro Open Air, em S. Pedro do Sul, no dia 14. Progressive Nation Tour - Honras nacionais em Outubro
Num espaço de quatro meses os nova-iorquinos Dream Theater actuarão pela segunda vez em Portugal desta feita num concerto inserido na Progressive Nation Tour 2009, um evento da autoria do próprio baterista Mike Portnoy. Depois de criar furor nos Estados Unidos, a tournée viaja até à Europa com paragem no Palácio de Cristal, no Porto, no dia 22 de Outubro. A acompanhar os reis do Metal progressivo estarão os suecos Opeth, uma das maiores sensações do Metal progressivo e extremo dos últimos anos. Os menos conhecidos, mas não menos cativantes, Bigelf, dos Estados Unidos, e os Unexpect, do Canadá, têm honras de abertura do evento. O preço dos bilhetes é de 30€ e estão à venda nos locais habituais. O espectáculo tem início às 19h00. Thursday, July 09, 2009
Review
MEN EATER
“Vendaval”
[CD – Raging Planet]
Quem se deliciou com a estreia em longa-duração deste colectivo lisboeta há dois anos, na forma de “Hellstone”, deverá ter recebido com grande entusiasmo e até alguma surpresa este regresso mais ou menos rápido – e dizemos isso porque é sinal de que o disco ainda continua bem presente na mente das pessoas. Contudo, ao mesmo tempo quase que adivinhamos algum nervosismo face ao que poderia suceder a uma estreia tão auspiciosa. A fasquia encontrava-se bastante alta e cabia agora saber se mesmo experientes estes músicos conseguiriam recriar o ambiente hipnotizante e envolvente de “Hellstone”.
Pelo que aqui ouvimos podemos dizer que “Vendaval” está entre a desilusão e a consciência de que a sua qualidade é relativa, quer por ser um álbum diferente, quer por ter um antecessor soberbo a fazer-lhe “sombra”. Porém, as comparações com outros exercícios musicais deste quarteto poderão ser verdadeiros erros de interpretação ou de análise. “Vendaval” é indiscutivelmente um disco que “cola” menos, mas isto porque respira de outras irreverências. Está muito longe do ambiente denso que caracterizou a banda no seu primeiro disco e ruma verticalmente para um quadro de peso e distorção ainda pouco explorado, quase segundo o método de uns Mastodon a se borrifarem para os floreados progressistas e a preferirem destruir a casa. O intimismo já não se sente, não há harmonias etéreas [tirando o simples mas “encantado” solo de “Queen Of A Million” e o final “Dead At Sea”], mas sim uma árida e escamosa camada de riffs stoner a destilarem-nos substâncias ilícitas ingeridas em qualquer desert session.
Podemos bem perguntar o que se passou pela cabeça desses rapazes para não nos oferecerem mais uma “Revolver”, “Lisboa” ou “Redsky”, mas é precisamente por não terem escolhido o caminho mais fácil que continuam a revelar-se uma das bandas mais maduras e singulares de Portugal. [7/10] N.C.
Estilo: Stoner/Sludge Rock
Discografia:
- “Hellstone” [CD 2007]
- “Vendaval” [CD 2009]
www.myspace.com/meaneaterdoom
“Vendaval”
[CD – Raging Planet]
Quem se deliciou com a estreia em longa-duração deste colectivo lisboeta há dois anos, na forma de “Hellstone”, deverá ter recebido com grande entusiasmo e até alguma surpresa este regresso mais ou menos rápido – e dizemos isso porque é sinal de que o disco ainda continua bem presente na mente das pessoas. Contudo, ao mesmo tempo quase que adivinhamos algum nervosismo face ao que poderia suceder a uma estreia tão auspiciosa. A fasquia encontrava-se bastante alta e cabia agora saber se mesmo experientes estes músicos conseguiriam recriar o ambiente hipnotizante e envolvente de “Hellstone”.Pelo que aqui ouvimos podemos dizer que “Vendaval” está entre a desilusão e a consciência de que a sua qualidade é relativa, quer por ser um álbum diferente, quer por ter um antecessor soberbo a fazer-lhe “sombra”. Porém, as comparações com outros exercícios musicais deste quarteto poderão ser verdadeiros erros de interpretação ou de análise. “Vendaval” é indiscutivelmente um disco que “cola” menos, mas isto porque respira de outras irreverências. Está muito longe do ambiente denso que caracterizou a banda no seu primeiro disco e ruma verticalmente para um quadro de peso e distorção ainda pouco explorado, quase segundo o método de uns Mastodon a se borrifarem para os floreados progressistas e a preferirem destruir a casa. O intimismo já não se sente, não há harmonias etéreas [tirando o simples mas “encantado” solo de “Queen Of A Million” e o final “Dead At Sea”], mas sim uma árida e escamosa camada de riffs stoner a destilarem-nos substâncias ilícitas ingeridas em qualquer desert session.
Podemos bem perguntar o que se passou pela cabeça desses rapazes para não nos oferecerem mais uma “Revolver”, “Lisboa” ou “Redsky”, mas é precisamente por não terem escolhido o caminho mais fácil que continuam a revelar-se uma das bandas mais maduras e singulares de Portugal. [7/10] N.C.
Estilo: Stoner/Sludge Rock
Discografia:
- “Hellstone” [CD 2007]
- “Vendaval” [CD 2009]
www.myspace.com/meaneaterdoom
Reltih - Ao vivo nas Caldas da Rainha
Os regressados Reltih actuam no dia 18 de Julho com os Fetal Incest, Agressão Social e Mend Your Loss no Antigus Bar, nas Caldas da Rainha. O início do espectáculo é às 21h30 e o bilhete custa 3€.Arkangel - Da Bélgica para três datas nacionais
Os belgas Arkangel deslocam-se a Portugal este mês entre os dias 23 e 25 para espectáculos no Porto, Lisboa e Faro. Entretanto, ainda só existem detalhes sobre a data de 24 de Julho que decorrerá no Revolver Bar, em Cacilhas, com os convidados Bloodshot e Grankapo. Os espectáculos para estas datas têm início às 21h30 e o bilhete tem um custo de 8€ [venda antecipada] ou 10€ [venda no dia]. Your Demise - Apresentam novo disco em Cacilhas
O dia 18 de Julho é dia de hardcore e punk no Revolver Bar [ex-O Culto], em Cacilhas. Never Fall, For Gods Fake, Reallity Slap e os britânicos Your Demise, a fechar, são as propostas de peso que não deixarão, de certo, desiludidos os fãs deste movimento. Esta ocasião marca ainda a apresentação, em solo nacional, de “Ignorance Never Dies”, o mais recente álbum dos Your Demise. Os bilhetes estão à venda no bar Boca do Inferno e no dia no recinto do evento. Mais informações em www.xuxajurassica.com. Black Tooth Grin + Rattle Snake + Acid Season - No Transmission Bar
No dia 17 de Julho o Transmission Bar, no Cais do Sodré [Lisboa], recebe as actuações dos nacionais Black Tooth Grin, Rattle Snake e Acid Season. O espectáculo tem início às 21h00 e o ingresso custa 5€. Waste Disposal Machine - No Elektrocution: Ressurection
No dia 7 de Agosto os Waste Disposal Machine actuam no festival de música electrónica e alternativa Elektrocution: Ressurection a decorrer na Aldeia de Maria Gomes, na Pampilhosa da Serra. O bilhete para um dia custa 10€ e 15€ para os três dias do festival. O festival conta com zona de campismo e praia fluvial. Antes disso, a banda vai estar no Sobreirus Fest IV, em Santarém, no dia 25 de Julho, com os Vulture, Echidna e W.A.K.O..Tuesday, July 07, 2009
Defying Control + Acromaníacos - Próximo fim-de-semana no Ribatejo
Os projectos punk/hardcore nacionais Defying Control e Acromaníacos actuam nos dias 10 e 11 de Julho no 10º Festival Glória ao Rock que decorrerá em Glória do Ribatejo. Magnum - Lendas do Rock britânico em Portugal
No dia 20 de Outubro, os lendários Magnum estarão em Portugal, no Santiago Alquimista, para apresentar o seu mais recente trabalho “Into The Valley Of The Moonking”. O colectivo britânico atinge já mais de 30 anos de carreira e acaba de lançar o seu décimo quarto álbum. Um grupo que dispensa apresentações e que o público nacional poderá ver em Lisboa a partir das 21h30 por 22€. Especial October Loud 2009 IV
ZYMOSISNo virar de milénio, os Zymosis surgiram como que os herdeiros de uma cena açoriana que outrora vivera tempos representativos no campo do black metal melódico, com nomes como Gnosticism e Luciferian Dementia, e que havia arrefecido de há uns anos até então. Os tempos eram claramente outros e a banda lutou como uma autêntica "guerreira das trevas" para tornar conhecido o seu trabalho. Num esforço louvável, a banda lançou em pouco tempo de existência uma demo ao vivo, uma demo de estúdio e um DVD+CD de um dos seus espectáculos. Tudo isto ajudou a colocar os Zymosis na órbita de muitos interessados pelo underground em geral e a prova de que o black metal ganhava um novo fôlego nos Açores era indiscutível. Entretanto, de há sensivelmente um ano para a cá, a banda vem atravessando uma profunda reestruturação que a tem mantido algo na "sombra". Nos palcos pela última vez em Fevereiro passado no lançamento do CD tributo aos Morbid Death, a banda de S. Roque promete, no entanto, voltar ao seu ritmo normal de actividade já este ano e para isso tem já duas datas agendadas. Uma delas é precisamente no October Loud.
Ruben Medeiros, baixista e membro fundador que recentemente regressou ao colectivo açoriano, diz que a banda encontra-se a criar novos temas, mas que “os antigos não estão esquecidos”. Contudo, confessa que preferem “regressar aos palcos com um metal mais bruto, tirando um pouco da melodia”. Serão estes os Zymosis que as pessoas poderão esperar para os próximos tempos e que até já pensam em gravar.
Em jeito de comentário final e até como é unânime, Ruben salienta o papel da organização do October Loud. “O formato deste ano faz com que as bandas açorianas sejam valorizadas, visto que o seu número no cartaz é superior ao dos outros e assim todos podem demonstrar que o Metal açoriano é bom. Os Zymosis já se preparam para este festival. Podem esperar uma banda a dar o seu máximo para que no final as pessoas não pensem que perderam o seu tempo a nos ouvir; pelo menos é esse o nosso objectivo”.
Line-up:
Hélder Medeiros [voz]
Rui Arruda [guitarra]
Ruben Medeiros [baixo]
The Professor [teclados]
Flávio Medeiros [bateria]
Ano de formação: 2002
Estilo: Black Metal Melódico
Discografia:
“Welcome To The Devil’s Lair – Live Beside The Church” [Demo CD 2003]
“Disharmonical Symphony Of Black Dimensions” [Demo CD 2004]
“Puritanical Live War” [DVD+CD 2006]
Site:
www.myspace.com/zymosisband
Loud! Magazine - Edição de Julho em breve
Brevemente nas bancas estará a edição #101 da revista Loud!. Depois de comemorar um número notável de edições, com direito a reestruturação gráfica e à inauguração de um site, a Loud! apresenta este mês entrevistas a Sufocation, Loaded, Primal Fear, Edguy, Trail Of Tears, Amorphis, Bizarra Locomotiva, Riverside, Hardcore Superstar, Powerwolf, Autumnblaze, Nahemah, Birds Of Prey, Warbringer, Jungle Rot, Necrophobic, Lay Down Rotten, Asphyx, God Dethroned, Witchmaster e Deströyer 666. A secção reviews contempla análises aos novos discos de Amorphis, Anaal Nathrakh, Blood Red Throne, Chimaira, Code, Dawnrider, Devin Townsend Project, Drudkh, Minsk, Moss, Mystic Prophecy, Nightrage, Obituary, Poison The Well, Primal Fear, Suicide Silence, Sworn Enemy, Vomitory, Witchbreed, Zao, entre outros. Aos segredos escondidos de “Tesourinhos Pertinentes” teremos oportunidade de desvendar “Marauder”, um clássico de 1981 dos Blackfoot. Na “estrada”, a Loud! esteve presente nos festivais Metal GDL e Live Summer Fest, que reportará para as páginas da sua nova edição, bem como nos espectáculos de AC/DC, Soulfly, Terror, God Is An Astronaut, Jarboe, Bal-Sagoth, Morte Incandescente, Dawnrider e Ibérica. Neste número o líder dos The Ocean conclui a sua Tour Report e é publicado um especial que antevê a realização do Vagos Open Air a 7 e 8 de Agosto. Notícias, Nacionais, Breves, Playlists, Agenda, Eternal Spectator são outros dos habitués que desta feita, também não falham o seu contributo para esta edição. October Loud 2009 - Summoned Hell juntam-se ao cartaz
Depois de uma nova “vida” encetada na carreira dos Summoned Hell, com regresso aos palcos e com nova formação em Dezembro passado, a banda de S. Miguel dá seguimento a uma fase positiva da sua carreira com mais um concerto, desta feita no October Loud. Enquanto a banda prepara o seu primeiro registo, o público açoriano terá oportunidade de os rever em palco no festival que marcará o ano pela sua forte aposta no produto local. O festival decorre entre os dias 1 e 4 de Outubro no Salão Paroquial de S. José, em Ponta Delgada, e confirma já as actuações dos Carnification, Prophecy Of Death, Stampkase, Zymosis, Neurolag, Psy Enemy, In Peccatum, Sanctus Nosferatu, Nableena e Spank Lord. Estão ainda por confirmar dez bandas. Friday, July 03, 2009
Entrevista A Lone Variant
EXÉQUIAS ESTELARESUm manifesto da criatividade individual de Diogo Lima num ambiente inóspito, é como podemos ver a existência e o parto de A Lone Variant. Em crescendo de popularidade no mundo inteiro, através de projectos como Neurosis, Earth, Cult Of Luna ou Mastodon ou como herança dos Melvins, o post/ambient/sludge rock surge para os Açores, uma área do globo onde a tradição musical é bastante diferente, por via deste one-man-project. Pela coragem e juventude do seu autor - com apenas 16 anos -, para além da sua dedicação que o fez assumir praticamente tudo o que no EP de estreia “Lo-Fi Experiments Of A Dying Supernova” se passa, é motivo para lhe "batermos a pala" ou fazer a vénia. Mais que aceitável – uma promessa de que ganhamos aqui um músico talentoso e, sobretudo, super lúcido da realidade que o circunda, como podemos conferir pela entrevista que se segue.
Jovem como é e sendo natural dos Açores, esperava-se tudo menos uma estreia com estas características sonoras. É da mesma opinião?
Acho que sim, o som que A Lone Variant pratica não é, de todo, o mais comum nos Açores e, arrisco-me a dizer, em Portugal inteiro, apesar de estar a haver um grande aumento na divulgação deste tipo de sonoridade mais post, com grandes influências de Neurosis. É daqueles sons que não entram à primeira e também são difíceis de rotular, pelo que as pessoas os ignoram e ficam um pouco de fora.
Enquanto o normal é as bandas locais levarem imenso tempo desde que se formam até lançarem um primeiro trabalho, mesmo em moldes mais amadores, para os A Lone Variant isto parece nunca ter sido um problema…
Isso deve-se, na sua maioria, ao facto deste projecto ser constituído apenas por uma pessoa. Algumas das composições que estão neste EP já tinham sido “rascunhadas” antes de ter pensado no conceito de A Lone Variant. Uma banda com pessoas que queiram criar música em grupo terá que definir uma sonoridade, o modo como trabalham, assim como estabelecer metas e prioridades. Se um grupo quiser, primeiro que tudo, dar concertos por aí fora e quiser ficar conhecida por isso, então é natural que um trabalho gravado não seja das suas principais metas… O que é pena, mesmo nesta região, mas isso é outro assunto.
Nunca se sentiu seduzido pelos projectos pelos quais a maioria das pessoas da sua idade se interessam?
Senti e ainda me sinto por alguns. Sempre tive um grande interesse e curiosidade no que toca à música e não tenho vergonha em admitir que gosto e comecei verdadeiramente a ouvir música com os primeiros discos do Eminem ou que ouvia bastante pop. Faz parte da evolução musical, é preciso começar por algum lado. No meu caso, o facto de ter tido acesso à internet deste muito cedo ajudou-me a encontrar novas bandas e músicas e, consequentemente, vir parar onde parei. Mesmo hoje em dia é-me impossível escolher um género de eleição… Pode ser tanto o indie rock como o sludge e por aí fora.
Quando fala aos seus colegas de liceu que gosta de bandas como Electric Wizard ou Melvins como é que reagem?
Por acaso, tenho alguns amigos que até apreciam algumas das influências de ALV, mas a maioria torce o nariz e diz que é muito barulhento ou confuso para se ouvir. É natural, creio.
O que costuma dizer às essas pessoas que têm uma certa dificuldade em entender esse tipo de som?
Não sei bem… acho que é um estilo de música que requer uma certa atenção e espírito aberto, tal como no resto do metal. As pessoas preocupam-se demasiadamente em ouvir para rotular do que em ouvir para sentir, o que pode soar um pouco cliché, mas não passa de pura realidade.
O que o cativa então, verdadeiramente, neste estilo musical?
É um estilo tão vago que é um pouco complicado explicar-me. Se por um lado, a sujidade “groovy” de Electric Wizard e Eyehategod me dão arrepios, por outro há o som calmante de Earth que tanto pode funcionar como analgésico como um aperto na ferida. Depois, há a técnica de Mastodon e Melvins que lhes conferem tanto um nível de “epicidade” como de esquizofrenia… E pronto, depois há Neurosis e outros [poucos] casos que juntam quase tudo isso.
Prevê fácil gerar a sua estreia ao vivo, havendo o facto de ser um projecto a solo e necessitar de outros músicos para fazê-lo como pelos adeptos que os Açores poderão ter ou não ter para o apoiar?
Pela experiência pela qual estou a passar, o mais fácil é mesmo arranjar um sítio para tocar. Há músicos aos “magotes”, mas o que é mais complicado é encontrá-los. Convém que tenham gostos parecidos aos do projecto e que toquem minimamente bem. Posta esta dificílima tarefa de lado, há toda aquela fase da criação e preparação do espectáculo em si que torna as coisas ainda mais complicadas, sendo eu ainda para mais um perfeccionista neste aspecto. Contudo, acho que as pessoas podem contar com algo ainda este ano… De resto não posso dizer nada excepto que haverão mais detalhes brevemente.
A escolha de disponibilizar o seu primeiro EP online e de forma gratuita era uma escolha óbvia para um projecto com sensivelmente cinco meses e que quase ninguém conhecia?
Claro. É preciso acompanhar os tempos em que estamos e as condições em que vivemos, aproveitando-as ao máximo. Tal como colocou na questão, ALV é praticamente desconhecido e ainda muito jovem, pelo que um lançamento digital é, na minha opinião, uma das maneiras mais fáceis e acessíveis de divulgar um trabalho como esse junto do público.
Entende que a estratégia resultou? Tem sido muito “descarregado” o álbum?
Pode dizer-se que sim. Há vários sites piratas famosos que têm o álbum nos seus servidores, o que ajuda a divulgar o EP mais ainda, e o número de downloads também tem sido razoável. Sei de gente de outros lados do mundo [Suíça, Rússia, Ucrânia] que ouviram e apreciaram o trabalho. Pode dizer-se que a situação não está má, para aquilo que pensei que fosse ser a princípio.
O facto de haver uma edição física também é muito sensato. Afinal de contas, pode tornar-se numa peça única e rara. Tem havido muita procura por essas edições?
Esta edição física, limitada a 21 exemplares numerados, já esgotou. Foi tudo feito/imprimido em casa com a ajuda do António Gomes, um grande amigo que também tratou do design e canta na “Satanic Rites of Drugula”.
Há vários sentimentos ao longo desse trabalho. Da calma “The Take-Off” até à mais enérgica e rockeira “25th Century Conqueror (Soul/Machine)”. É um disco de múltiplas sensações?Acho que este é, sem dúvida, um trabalho de múltiplas sensações. Quando comecei a compor esse material nem sabia se ia lançar alguma coisa, mas à medida que fui compondo e criando desenvolveu-se um conceito mais complexo e aí surgiu A Lone Variant e o EP. O facto de haverem músicas com sonoridades tão díspares como as acima mencionadas justifica-se com uma tentativa de descobrir aquilo que realmente queria fazer e talvez seja por isso que o “Lo-Fi Experiments…” seja tão variado e lhe falte uma marca/som característico. Contudo, estou relativamente satisfeito com o resultado.
Sente que sozinho consegue exprimir-se melhor ou sente que mais cedo ou mais tarde será benéfico ter uma banda a apoiá-lo na criação dos temas?
Desenrasco-me muito melhor a trabalhar sozinho ou com o apoio de uma ou outra pessoa do que com uma banda a trabalhar os temas comigo. É uma questão de conciliar gostos, horários e ter a paciência para trabalhar num grupo.
Quais foram os critérios para selecção dos convidados que figuram em “Lo-Fi Experiments…”?
Por um lado, a gravação da “Satanic Rites of Drugula” foi quase que acidental. O “Sopas” [Fábio Pereira] e o Toni [António Gomes] sempre me acompanharam ao longo do percurso de A Lone Variant e sempre foram grandes apoiantes do projecto, pelo que os pedi para me acompanharem especialmente na gravação da música, da qual gostamos todos. Fez-se numa tarde muito bem passada. Por outro lado, temos o Cristóvão Ferreira que conheci através do Metalicidio depois de mostrar as primeiras composições. Ele gostou bastante do trabalho e, após o meu pedido, depressa se tornou numa das peças chave deste trabalho, ajudando imenso na parte mais pesada, ou seja, “Rest in Fire” e “25th Century Conqueror…”.
Como se descreveria como músico? Quando se pensa em projecto a solo a imagem que normalmente ocorre é a de um virtuoso. Este não é o caso, e mesmo acredito que não será talvez a técnica que lhe interesse…
Como guitarrista, estou muito longe de ser virtuoso e nem é esse o meu objectivo. Sei que só não toco melhor porque não quero. É claro que um pouco de técnica fica sempre bem, mas o meu principal objectivo é compor aquilo de que gosto e saber o que dê para isso, tanto na guitarra como nos outros instrumentos. Hoje em dia, a tecnologia também ajuda um bocado, mas há sempre mais e mais para aprender de modo a inovar e a fazer com que o trabalho não fique tão enfadonho.
Toca há quanto tempo? Tem algum tipo de formação?
Apesar de sempre ter gostado de “brincar” com instrumentos, comecei a dedicar-me mais seriamente à guitarra eléctrica há dois anos, altura em que ingressei nas aulas na Globalpoint Music. Quanto a outros instrumentos e a nível de composição, sou completamente autodidacta.
Com os Açores em expansão em termos de quantidade e qualidade de eventos e mesmo de diversidade em termos de projectos concebidos entre-portas, como vê a posição de A Lone Variant num cenário futuro?
Não acho que A Lone Variant vá ter qualquer tipo de influência ou importância na música açoriana. É, de facto, um som que não se ouve por cá todos os dias, mas não vejo este tipo de som a influenciar o público açoriano como outras bandas. Creio que o público de metal açoriano é muito virado para o aspecto mais extremo ou para um tipo de som muito específico e tal chega até a limitar os concertos de bandas de fora que cá vemos.
Acha que aos poucos as mentes se vão abrindo e as futuras gerações já serão capazes de aceitar muitos mais estilos musicais?
Isso depende um pouco. É claro que vai haver sempre gente que fique ligada ao som do mainstream porque é apenas a isso que pode aceder ou tem paciência para tal. Contudo, com a facilidade com que se divulga mais e melhor música no quotidiano, é impossível não haver um aumento no número de pessoas mais cultas a este nível. Há que ser eclético, e, se tal acontecer, acho que isso se poderá reflectir nas gerações vindouras.
Mesmo em Portugal o movimento já tem alguma força por projectos de grande qualidade como Catacombe, Katabatic ou Men Eater. Acompanha estes projectos?
Os Men Eater são das minhas bandas portuguesas preferidas, apesar de o último trabalho deles ser um pouco complicado de digerir e já conhecia também Catacombe e Katabatic há algum tempo. São todos, a par de Löbo e Black Bombaim, projectos muito bons e é bom saber que o género vai de vento em popa em Portugal, ainda que tenha uma base de fãs relativamente pequena.
Você foi o responsável pelas próprias gravações de “Lo-Fi Experiments…”, certo? Em traços gerais acha que resultou a experiência?
Sempre tive muita curiosidade em saber como é que as coisas funcionavam nesta arte, e foi de facto uma experiência muito enriquecedora. Apesar do resultado final não ter saído 100% satisfatório, sinto que aprendi imenso comigo mesmo e com a ajuda preciosíssima de alguns músicos e amigos como o Cristóvão Ferreira, entre outros.
Este facto, permite-lhe também ter bastante liberdade com o projecto em termos de edições. Prevê já quando estará disponível um novo trabalho de A Lone Variant, em longa-duração, por exemplo?
A Lone Variant ainda é um projecto com muitas facetas para mostrar, pelo que talvez lance mais algum material na internet sem qualquer tipo de compromisso de modo a dar a conhecer as suas várias facetas. Contudo, lançando assim algo ao ar, talvez o mundo veja o primeiro CD de longa-duração de ALV, em princípio conceptual, para meados de 2010.
Normalmente esta questão é feita a pessoas mais experientes e que viveram várias fases do nosso underground, mas também seria interessante ver a questão de outra perspectiva: com 16 anos e não tendo tido um contacto directo com anteriores fases da cena musical local, que quadro lhe pinta actualmente?Pessoalmente, acho que o underground de cá não vai mal. Em termos de bandas, há material muito bom e variado, desde Psy Enemy a Spank Lord. Tendo em conta o sítio em que vivemos, creio sermos bastante privilegiados dado o facto de já termos tido acesso a concertos de bandas grandes como Mnemic, Paradise Lost e afins. Saindo um pouco do metal, de destacar Broad Beans e Zero Killed que têm a difícil tarefa de subsistir numa zona onde os estilos que se praticam pouco proliferam. Contudo, creio que, num cômputo geral, vamos bem.
Thursday, July 02, 2009
Review
THE BULLET MONKS
“Weapons Of Mass Destruction”
[CD – Napalm Records/Fiomúsica]
E se se vive constantemente na busca de rótulos para classificar as bandas, para orientar os consumidores ou para potencializar uma tendência, em alguns casos um exercício perfeitamente inofensivo e legítimo, a falta de concordância é, no entanto, uma ocorrência/problema comum. Se isto é um assunto que na realidade pouco interessa e está apenas à volta do essencial, a música, entretanto, os The Bullet Monks ou a sua editora acabaram por ser felizes na classificação da sonoridade que aqui se apresenta, mesmo não sendo esta uma tentativa de instaurar o que quer que seja de novo ou reclamar uma nova invenção. Não, até porque o som destes germânicos é expressamente encomendado ao rock clássico e ao espírito hedonista e boémio dos anos 70 e 80, se bem que o continua a haver, em cruzamento com um músculo típico do Metal. Por este quadro, são então catalogados de “Mosh’N’Roll”.
As influências vão desde as seminais e óbvias – Led Zeppelin, Deep Purple, The Who, ZZ Top, Motörhead – até às mais contemporâneas, como The Hellacopters, The Answer, Audioslave, Velvet Revolver e Gluecifer. Todavia, este irreverente quarteto não soa a cópia de ninguém. Uma proeza, acreditem. O seu positive vibe, o seu ritmo, a sua descontracção mas concisa e muito focada abordagem e forma de trabalhar, convencem-nos [muito] facilmente. São soberbos executantes nesta vertente e a voz de Tyler Voxx tem a excelência de um Chris Cornell bastante mais ressacado, não obstante muito harmonioso. A fibra dos riffs estão lá, a bateria marca uma passada contagiante e depois o espírito e a mensagem faz o resto. Embora cliché, o final de “Downtown Is Dead”, com um sampler de garrafas a partir e alguém suspeito em fuga deixando um aflito tripulante atrás com… possivelmente, um cão de grande porte, é muito engraçado!
[CD – Napalm Records/Fiomúsica]
E se se vive constantemente na busca de rótulos para classificar as bandas, para orientar os consumidores ou para potencializar uma tendência, em alguns casos um exercício perfeitamente inofensivo e legítimo, a falta de concordância é, no entanto, uma ocorrência/problema comum. Se isto é um assunto que na realidade pouco interessa e está apenas à volta do essencial, a música, entretanto, os The Bullet Monks ou a sua editora acabaram por ser felizes na classificação da sonoridade que aqui se apresenta, mesmo não sendo esta uma tentativa de instaurar o que quer que seja de novo ou reclamar uma nova invenção. Não, até porque o som destes germânicos é expressamente encomendado ao rock clássico e ao espírito hedonista e boémio dos anos 70 e 80, se bem que o continua a haver, em cruzamento com um músculo típico do Metal. Por este quadro, são então catalogados de “Mosh’N’Roll”.As influências vão desde as seminais e óbvias – Led Zeppelin, Deep Purple, The Who, ZZ Top, Motörhead – até às mais contemporâneas, como The Hellacopters, The Answer, Audioslave, Velvet Revolver e Gluecifer. Todavia, este irreverente quarteto não soa a cópia de ninguém. Uma proeza, acreditem. O seu positive vibe, o seu ritmo, a sua descontracção mas concisa e muito focada abordagem e forma de trabalhar, convencem-nos [muito] facilmente. São soberbos executantes nesta vertente e a voz de Tyler Voxx tem a excelência de um Chris Cornell bastante mais ressacado, não obstante muito harmonioso. A fibra dos riffs estão lá, a bateria marca uma passada contagiante e depois o espírito e a mensagem faz o resto. Embora cliché, o final de “Downtown Is Dead”, com um sampler de garrafas a partir e alguém suspeito em fuga deixando um aflito tripulante atrás com… possivelmente, um cão de grande porte, é muito engraçado!
Onze temas e uma versão unplugged do tema inicial “No Gain Just Pain” debitados com a convicção e solidez expressa nessa estreia fazem dos jovens The Bullet Monks uma surpresa e uns potenciais “doutores” rock’n’rollers no futuro. [8/10] N.C.
Estilo: Rock/Metal
Discografia:
- “Weapons Of Mass Destruction” [CD 2009]
www.bulletmonks.com
www.myspace.com/bulletmonks
Estilo: Rock/Metal
Discografia:
- “Weapons Of Mass Destruction” [CD 2009]
www.bulletmonks.com
www.myspace.com/bulletmonks

